Radioterapia – As radiações do bem

Categoria: Saúde

Autor(a): Simone Carvalho dos Santos Cunha | Colaborador(es): Leila Bonfietti Lima | Cidade: Campinas | 06/08/2013 - 10:38

Eficaz no tratamento do câncer em humanos, seu uso em animais vem crescendo cada dia mais no país
Gata com um carcinoma epidermoide de pele sendo submetida ao tratamento radioterápico Foto: Divulgação

Gata com um carcinoma epidermoide de pele sendo submetida ao tratamento radioterápico Foto: Divulgação

A Medicina Veterinária vem apresentando avanços significativos nos últimos anos no Brasil e no mundo. Há uma crescente preocupação em garantir não apenas quantidade mas também qualidade de vida para os animais de companhia, o que aumenta a procura por novas alternativas de tratamento.
Muitos profissionais têm opiniões e posturas negativas em relação ao tratamento do câncer com agentes quimioterápicos e radioterapia. No entanto, nos últimos anos, grandes avanços ocorreram nesta área, aumentando muito sua eficácia. Novas tecnologias de diagnóstico por imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, possibilitaram a melhor localização e avaliação da extensão dos tumores, permitindo que a radioterapia atue mais efetivamente.
A radioterapia é uma modalidade eficaz de tratamento do câncer em animais e seres humanos. Metade dos pacientes humanos com câncer é submetida à radioterapia em algum momento do tratamento oncológico. A sua utilização na Medicina Veterinária ainda é limitada pelo pequeno número de centros de tratamento radioterápico em nosso país. No entanto, a tendência é que esse número aumente bastante nos próximos anos. O princípio básico da radioterapia é o efeito da radiação ionizante sobre as células, levando-as à morte. Há vários tipos de radioterapia, como a teleterapia (na qual a radiação é administrada através de um feixe externo), a braquiterapia (em que uma fonte radioativa é implantada dentro ou próxima ao tumor) e o tratamento sistêmico (usado, por exemplo, para o tratamento de tumores na glândula da tireoide).
Antes do início de um tratamento radioterápico, o animal precisa ser cuidadosamente avaliado quanto ao seu estado físico, características do tumor e presença de metástases (instalação de um ou mais focos do tumor distantes do local em que ele se originou).
O animal precisa estar em condições físicas adequadas para tolerar curtas (mas frequentes) anestesias, assim como a exposição a ambientes e pessoas estranhas. O planejamento radioterápico deve levar em consideração o melhor protocolo para cada paciente.
O dono do animal deve ser informado sobre todas as alternativas possíveis de tratamento, os benefícios e riscos de cada uma delas e a probabilidade de controle do tumor, assim como as possíveis complicações. Desta maneira, ele pode considerar o grau de compromisso, tempo e recursos financeiros necessários antes do início do tratamento.
Exemplos de tumores tratados com radioterapia são: tumores cerebrais, tumores nasais, sarcomas, linfomas localizados, carcinoma epidermoide de pele, adenomas, mastocitomas, melanoma oral, TVT (tumor venéreo transmissível), entre vários outros.
 

Simone Carvalho dos Santos Cunha, doutoranda da Universidade Federal Fluminense (UFF).
simonecsc@gmail.com


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