Bolas de pelo: cuidado com elas!

Categoria: Saúde

Autor(a): Por Roberta Martins | Colaborador(es): Jornalismo TopCo | Cidade: Campinas | 26/07/2019 - 14:21

Conheça meios de controlar a ingestão de pelos por seu gato e traga conforto e bem-estar a ele
Foto: divulgação

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Tutores de gatos mais peludinhos, como Persa, Maine Coon, Ragdoll e mesmo os SRD, além de outras raças, convivem com um hábito de expelir bolas de pelos. Isso porque, como os bichanos se lambem muito durante seu ritual diário de higienização, acabam engolindo pelos mortos que ficam sobre a pele.
Estimativas apontam que 2/3 dessa pelagem tem como destino principal o estômago desses animais.
Por isso, a Pulo do Gato traz dicas que vão diminuir a ingestão de pelos e melhorar a saúde e bem-estar do seu felino.

©iStock.com/ Thylacine

PARECEM INOFENSIVAS, MAS NÃO SÃO!
Mais comuns em épocas de troca de pelagem, que acontecem, em média, a cada seis meses, dependendo da raça do gatinho, as bolas de pelo, ou tricobezoares como são chamadas pelos veterinários, consistem, na verdade, em rolinhos de pelos e não propriamente bolas. Mesmo sendo uma manifestação fisiológica e instintiva, esses amontoados de pelos não são tão inofensivos e requerem atenção e cuidados específicos.
Como não são digeridas pelo organismo, as bolas de pelo podem ficar presas no estômago ou no intestino, e é aí que mora o perigo, pois, além de poderem  causar obstrução intestinal, que, em casos mais complicados, pode prejudicar o funcionamento do órgão e levar o gato ao centro cirúrgico, o problema também gera inflamações crônicas recorrentes (doença inflamatória intestinal crônica). Nesses casos, com o tempo o bichano pode até sofrer de linfoma alimentar - neoplasia que afeta os gatos mais idosos, principalmente depois dos 7 anos de vida.

 

COMO SE LIVRAR DELAS?
Embora seja comum o animal regurgitar pelos, é necessário checar se o hábito está dentro do que é esperado, pois eles podem vomitar por motivos variados, como intoxicações, ingestão de objetos estranhos e outras enfermidades. Infelizmente, não há um consenso que defina um número limite dentro da normalidade para sinalizar o problema.
No entanto, vômitos frequentes merecem maior atenção. Alguns tutores dizem que seus gatinhos vomitam duas vezes por mês, mas já́ considero isso excessivo, caso não exista um intervalo entre esses episódios. Para gatos peludos, recomendo métodos complementares de prevenção, como as tradicionais pastas que contém substâncias que lubrificam a parede do intestino, auxiliando na eliminação das bolas, além de outros cuidados. Em geral, as pastas devem ser usadas uma ou duas vezes por semana, basta colocar um pouco do conteúdo na boquinha do animal ou até mesmo na pata para que, quando se higienize, ele engula o produto.

 
©iStock.com/ Krylova


PREVENÇÕES
Na luta contra os tricobezoares, recomenda-se essencialmente a escovação diária, tosas, banhos a cada 20 dias (dependendo da personalidade do gatinho)
e investimento em ração Premium ou até Super Premium, que inclua maior quantidade de fibras e substâncias que interferem na digestão, melhorando assim a motilidade intestinal.
Também é possível recorrer a uma suplementação de Ômega 3, poderoso antioxidante que combate os radicais livres e interfere na saúde do folículo piloso (estrutura que dará́ origem ao pelo) e capacidade anti-inflamatória que auxilia na preservação da saúde do animal.

COMO IDENTIFICAR O PROBLEMA?
Além das consultas periódicas ao veterinário, alguns sinais podem indicar que esse excesso de pelo ingerido não está sendo eliminado adequadamente, exigindo uma intervenção imediata. O tutor deve atentar-se para o comportamento do gatinho que adoece progressivamente, apresentando falta de apetite, sinais de letargia, constipação ou dificuldade para defecar, vômitos intermitentes e perda de peso sem causa aparente.

 

ESCOVAR É PRECISO!
Ao adotar um gatinho com pelagem mais farta, o tutor tem que se conscientizar sobre a importância da escovação. Desde a chegada do filhote em casa, é essencial habituá-lo ao processo. No mercado existem vários aparatos para esse fim, como rasqueadeiras, pentes, escovas e luvas. Na dúvida, é importante conversar com o médico do animal para saber qual a melhor opção.


Roberta Martin
Médica veterinária da Pet Center Marginal, de São Paulo-SP

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