A terrível insuficiência renal nos gatos

Categoria: Saúde

Autor(a): Camila Rodrigues | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas | 08/03/2019 - 15:40

Descubra quais são os estágios dessa doença grave e como manter o seu felino saudável e longe de problemas renais
iStock.com/ juanmar01

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Aproveitando a campanha do Março Amarelo, que faz um alerta aos perigos das doenças renais, nós, da Pulo do Gato, procuramos a médica veterinária Karine Kleine, especialista na área de Nefrologia Animal e diretora do Grupo Kleine, no Rio de Janeiro-RJ, para explicar as nuances dessa terrível complicação que, infelizmente, é tão recorrente em felinos.

A insuficiência renal ou doença renal crônica pode ser idiopática, ou seja, não ter uma causa específica, ser causada por herança genética ou ainda ser adquirida. Algumas raças, como o queridinho Persa e o Maine Coon, ou gatos com idade avançada (acima de 8 anos), são mais propensos a desenvolver a doença. Contudo, de acordo com Karine, qualquer gato pode ser acometido por essa doença, que causa o mau funcionamento dos rins, responsáveis pela filtragem de resíduos (ureia e creatina) na corrente sanguínea e pela excreção por meio da urina. “Se a filtragem não é feita de forma correta, essas substâncias irão ficar acumuladas no sangue do animal”, esclarece Karine. A especialista ainda enfatiza que existem muitos fatores que podem afetar os rins. “Processos inflamatórios, doenças virais, infecções bacterianas, insuficiência cardíaca e outras”, lista.

Fases da doença
O que torna a doença mais preocupante é o fato de ela ser progressiva, e se não for tratada, preferencialmente com antecedência, pode se desenvolver e causar complicações muito sérias. “Os estágios I e II são os iniciais, portanto, neles, é possível dar uma vida praticamente normal para o paciente. Tratar cedo garante qualidade de vida”, garante Karine, ao salientar que o pet pode apresentar alterações sutis, muitas vezes, nem percebidas como um indício de doença pelos seus tutores, como perda de peso e apetite seletivo. Porém, os dois demais estágios, estes sim preocupantes, devem ser diagnosticados com rapidez. “São quadros mais avançados e, muitas vezes, requerem internação e hemodiálise”, conta ela e complementa que o felino também pode apresentar falência renal.

De olho na urina
A veterinária enfatiza a importância dos tutores criarem o hábito de observar a urina de seus gatos, pois pode indicar alguma complicação renal. “Uma urina muito transparente ou muito escura não é um considerada um bom sinal”, alerta a especialista e complementa que exame de urina deve ser feito com certa regularidade. “A cada 6 meses, em animais com mais de 5 anos de idade e anualmente em gatos mais jovens”, enfatiza. A limpeza correta da caixa de areia também é indispensável para prevenir a proliferação de bactérias ou ajudar em infecções.


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Diagnóstico precoce
Assim como a maioria das doenças, seja em humanos ou em pets, o diagnóstico precoce é fator determinante para o curso do tratamento. “Se o reconhecimento for feito tardiamente, já no estágio terminal, não há muita opção”, alerta Karine, e lembra que o Brasil não disponibiliza transplantes renais para cães e gatos. “Descobrir cedo é a única forma de oferecer qualidade de vida para o animal”, diz.

Tratamentos auxiliares
Se a doença for descoberta cedo, como dito, é possível proporcionar uma sobrevida ao felino. Karine enfatiza que o uso de rações terapêuticas, produzidas com ingredientes selecionados capazes de auxiliar tratamentos veterinários, são grandes aliados na melhora dos pets. “É mais fácil administrar um alimento desenvolvido para um paciente renal crônico do que oferecer vários comprimidos ao dia”, alerta.
 
A especialista ainda alerta para o uso de terapias que prometem melhoras rápidas aos pacientes. “Algumas terapias têm sido utilizadas sem embasamento científico. Sabemos que existem casos de sucesso, mas os insucessos não são publicados”, adverte a veterinária.
Segundo ela, a ozonioterapia, que usa oxigênio e ozônio para produzir ação anti-inflamatória, imunomoduor e antimicrobiano, em pacientes renais, por exemplo, ainda precisa ser estudada para que sua eficácia no auxílio da insuficiência renal seja comprovada.

Vamos beber água, já!
“A ingestão de água é fundamental. A melhor forma é distribuir pela casa em diferentes potes, fontes, locais com água fresca e usar muita criatividade”, orienta Karine, ao salientar que a ingestão de líquidos ajuda no funcionamento correto do rim.



Agradecimento: KARINE KLEINE.
Uma das pioneiras na área de nefrologia animal no Brasil, e mestre pela Universidade de Franca (UNIFRAN).
Em 2014, lançou o Guia Prático de Nefrologia em Cães e Gatos.
Atualmente é diretora do Grupo Kleine e professora de nefrologia e cardiologia do Centro de Desenvolvimento da Medicina veterinária no Rio de Janeiro-RJ. 


 

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