Gordinho não é sinônimo de saudável.

Alimentos coadjuvantes auxiliam na manutenção do peso de gatos obesos e melhoram a saúde dos diabéticos.

Foto de Leo_Pixabay

Apesar de ser uma delícia chegar em casa e se deparar com aquele felino cheio de gordurinhas em cima da sua cama, o sobrepeso é um problema de saúde muito sério. Assim, é preciso cuidado com a alimentação do gato, mesmo naqueles momentos em que oferecemos petiscos como demonstração de carinho.
A principal consequência da alimentação em excesso é a obesidade. Estima-se que essa doença atinja de 19 a 52% dos gatos, e vem aumentando em todo o mundo. “Tenho um grande número de pacientes felinos gordos e com problemas de saúde relacionados à obesidade. Sabe-se atualmente que o excesso de energia ingerida, aliado ao sedentarismo e a condições metabólicas (castração, por exemplo) pode desenvolver sobrepeso e obesidade”, afirma a médica veterinária especializada em Nutrição de cães e gatos do hospital Pet Care, de São Paulo, Carla Maion. Ela ainda acrescenta que o sobrepeso pode acarretar também diabetes, problemas de pele, articulares, ósseos e urinários, e dificuldades respiratórias e cardiovasculares.
Identificar que um gato está com “sobrepeso” nem sempre é fácil. Veterinários consideram peso 10% acima do ideal como sobrepeso, e obesidade quando ultrapassa de 15 a 20% do peso ideal. Ao olhar para o gato, o dono já consegue identificar que está acima do peso, confira na tabela abaixo.

O peso considerado ideal é o da figura número 3. Acima disso, já é considerado sobrepeso

Causas mais comuns

Existem fatores metabólicos e comportamentais que podem alterar o controle do apetite e o equilíbrio energético dos gatos.
São eles:

• Idade: A taxa de incidência da obesidade aumenta com a idade devido à redução do gasto energético mínimo do organismo para se manter em repouso. “As maiores taxas de prevalência são observadas dos 5 aos 10 anos, quando ocorre aumento da proporção da massa gorda e redução da massa magra”, explica Carolina Padovani médica veterinária mestre em Nutrição e Alimentação de cães e gatos.

• Sexo: Embora não exista um consenso entre pesquisadores, gatos machos tendem a ser mais obesos que as fêmeas, pois elas apresentam um índice metabólico em repouso mais elevado, ou seja, gastam mais energia em repouso.

Castração: A operação provoca alterações hormonais e metabólicas que levam à redução da taxa metabólica e das necessidades energéticas, aumento do apetite e estimulo da produção de tecido adiposo. Com todas essas mudanças, após a castração, o gatinho fica mais sedentário, então precisa ser estimulado para a prática de exercícios e exige alimentação com menor valor energético.

• Famíla: A alimentação desempenha papel muito importante no relacionamento entre o homem e o animal de companhia. Muitos tutores utilizam o alimento e o ato de alimentar para expressar o seu afeto pelo animal. No entanto, ao agirem assim, cometem erros comportamentais que favorecem o desenvolvimento da obesidade. “Além disso, os animais vivem em espaços pequenos e sem enriquecimento ambiental que estimulem a perda de peso, como prateleiras e brinquedos”, afirma Mariane Silva, médica veterinária especializada em Medicina Felina do hospital veterinário Santa Inês, de São Paulo-SP.

Diabetes

Uma das causas mais gravesda obesidade em gatos é a diabetes mellitus, que atinge geralmente gatos idosos (acima de 7 anos de idade) com um histórico de excesso de peso e essencialmente sedentários. A diabetes felina corresponde, em 80% dos casos, à diabetes tipo 2 em humanos, na qual a hiperglicemia ocorre principalmente pela resistência insulínica, já que o pâncreas consegue produzir a insulina, porém ela não atua de maneira eficiente. Esse tipo de diabetes está intimamente ligado à obesidade. “A castração, o modo de vida sedentário e o consumo de alimentos contendo níveis elevados em calorias provenientes de gorduras e carboidratos podem favorecer o aparecimento da doença”, afirma Yves Miceli,médico veterinário mestre em Alimentação e Nutrição Animal.

Alimentação coadjuvante

O tratamento da obesidade é feito com modificações na dieta, atividade física e interações com o gato que o estimulem a se mexer. Além disso, um veterinário deve acompanhar o pet a cada 15 ou 30 dias. “É importante que a maior parte da perda de peso seja proveniente da queima de gordura corporal e que a massa muscular seja mantida ou tenha uma perda mínima”, explica Carla.
Durante o tratamento, o tutor deve adotar alimentos coadjuvantes, isto é, rações específicas para gatos obesos ou diabéticos que vemos em pet shops, para que o processo de emagrecimento seja saudável. “Esses alimentos são formulados com ingredientes selecionados com o intuito de oferecer todos os nutrientes essenciais para esse animal e fornecer quantidades adequadas, reduzidas, moderadas ou aumentadas, de outros nutrientes importantes para cada distúrbio”, diz Carolina.
Segundo Yves, as rações para gatos obesos e diabéticos apresentam níveis de proteína mais elevados quando comparamos com outros alimentos, para que ocorra a manutenção da massa muscular (magra) durante o período de perda de peso. Também possuem níveis de gordura e carboidratos reduzidos para evitar o acúmulo de energia e picos elevados de açúcares no sangue, prejudiciais para animais diabéticos. “Esses alimentos são enriquecidos com minerais e vitaminas para prevenir a deficiência durante a restrição calórica, nível moderado de calorias e elevado em fibras para prevenir o sobrepeso”, finaliza.

Nossos agradecimentos aos colaboradores Carla Maion Médica veterinária especializada em Nutrição de cães e gatos do hospital Pet Care, de São Paulo; Carolina Padovani Médica veterinária mestre em Nutrição e Alimentação de cães e gatos pela Universidade Federal de Lavras; Mariane Brunner Silva Médica veterinária especializada em Medicina Felina do hospital veterinário Santa Inês de São Paulo-SP e Yves Miceli Médico veterinário mestre em Alimentação e Nutrição Animal.


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