Persa: amado e desejado

Persas brancos de olhos azuis são muitos apreciados e disputados pelo público – Foto: Gabriela Macedo/ Gatil Santilli

A aparência da raça, bastante alterada pela interferência humana, provoca amor à primeira vista

Persa: carinha fofa – Foto: Arquivo do gatil Blanche

Existente há centenas de anos, o Persa é originário do território correspondente ao atual Irã. No século XVII, ele já conquistava apreciadores de seu visual, que se destacava em relação ao de outros gatos. Enquanto esses últimos normalmente se caracterizam pelo corpo não muito robusto e pela pelagem curta, os primeiros Persas já se distinguiam pela estrutura física mais encorpada, ossatura mais poderosa e cabeleira mais farta e alongada. “Mesmo nessa época, a raça se diferenciava, principalmente pela pelagem longa e macia”, diz Edryanne Santilli, do gatil Santilli, de Brasília.

Em meados dos anos 1800, o Persa já estava nas mãos de criadores ingleses encantados com sua aparência única, que, na busca por um gato com ares cada vez mais convincentes de bicho de pelúcia, começaram a modificá-lo ainda mais por meio de acasalamentos selecionados. “Tornaram-se então os Persas no padrão que conhecemos hoje”, conta Denise Santili, que cria a raça junto com sua filha. No início do século passado, os norte-americanos foram importando Persas da Grã-Bretanha e, a partir daí, sua popularidade começou a crescer em todo o mundo. “Hoje o Persa é facilmente reconhecido por seu nariz achatado e pelo longo, sendo essas as principais características da raça”, diz Mario Zillo, do gatil Zillo, de Lençóis Paulista, SP.

Evolução

Como se viu, os exemplares modernos da raça foram bastante alterados pelo Homem, de maneira que, hoje, eles se parecem muito pouco com os Persas de antigamente. “Atualmente, os padrões da raça, independentemente da federação felina, preveem um gato de corpo curto e baixo, olhos redondos e grandes, orelhas pequenas e arredondadas na lateral da cabeça e focinho curto, com o stop, ângulo de encontro entre testa e nariz, na altura dos olhos”, afirma Edryanne.

Nos últimos anos, os criadores da raça vêm se atentando muito para a saúde de seus gatos. “Os olhos devem estar em simetria com as narinas, mas estas não devem ser muito fechadas, para não dificultar a respiração do Persa”, afirma Alessandra Baronowsky, do gatil Blanche, do Rio de Janeiro. Edryanne, Denise e Mario, que também é veterinário, concordam. Ele observa ainda um ponto que vem mudando no Persa: sua expressão facial. “Antigamente, os exemplares da raça tinham uma cara mais fechada. Atualmente, os criadores vêm procurando um aspecto mais doce, com os olhos bem expressivos, redondos e grandes. Com a crescente popularização, ficou mais fácil notar que os amantes de Persa preferem assim”, comenta o criador. Alessandra afirma que começou a criar a raça em 2005 e, desde aquela época, os gatis nacionais vêm aprimorando a qualidade de seus plantéis, de maneira que, a cada ano, nossos Persas se aproximam ainda mais das características solicitadas nos padrões da raça. “Noto uma evolução, o que vale inclusive para o meu gatil, na obtenção, por exemplo, de olhos grandes e orelhas pequenas: essas últimas são, aliás, o que mais venho tentando melhorar. É um trabalho demorado”, conta.

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