Já vacinou seu pet neste ano?

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Veja os tipos de vacina indicados para cães e gatos e a frequência correta de aplicação para protegê-los de doenças infecciosas, algumas vezes fatais.

Vacinar o cão ou gato é medida fundamental de prevenção contra diversas doenças infecciosas e zoonoses. Os programas de vacinação, portanto, têm relevante influência na manutenção da saúde e do bem-estar dos animais.
Como os nossos animais de estimação dependem de nós para receber vacinas, nunca é demais recapitular os conhecimentos sobre o tema. A professora Karina Preising Aptekmann, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Espírito Santo, em Alegre, ES, explica quais tipos de vacinas existem para cães e gatos e orienta sobre cuidados gerais relacionados com o tema.

Tipos de vacinas

Essenciais: Essas vacinas protegem de doenças graves. Por isso, devem ser tomadas por todos os cães e gatos. Para os cães, são essenciais as vacinas que os protegem do vírus da cinomose canina, do adenovirus-2 canino e das variantes do parvovírus canino tipo 2. Já para os gatos, as vacinas essenciais previnem o parvovírus felino, o calicivírus felino e o herpesvírus felino tipo 1. No Brasil, considera-se também essencial a vacina antirrábica, mesmo se não houver exigência legal para sua aplicação, já que no País a infecção pelo vírus da raiva é endêmica em cães e gatos.

Opcionais: Essas são necessárias somente para os animais cuja localização geográfica, ambiente ou estilo de vida os coloca em risco de contrair infecções específicas. Em cães, as vacinas opcionais são as contra bordetela, parainfluenza e leptospirose e, em gatos, contra a clamidiose, bordetela, vírus da leucemia felina (FeLV) e vírus da imunodefi ciência felina (FIV). Os veterinários estão habilitados a informar sobre quais doenças são de maior risco na região onde vive o animal.

Não recomendadas ou de aplicação restrita: Algumas vacinas, por falta de evidência científica para justificar seu uso, são classificadas como não recomendadas ou de aplicação restrita. Para cães, fazem parte desse grupo as vacinas contra coronavírus, adenovírus-1, giárdia e leishmaniose. Para gatos, peritonite infecciosa felina (PIF) e giárdia.

“Éticas” e “não éticas”: Muito se fala sobre vacinas “éticas” e “não éticas”. Os termos corretos seriam vacinas “profissionais” e “não profissionais”, uma vez que a grande diferença entre elas é a presença ou não do médico-veterinário durante a realização do procedimento. Outro erro é relacionar as vacinas “não éticas” com as nacionais e as “éticas”, com as importadas. O fato de o produto ser nacional ou importado não caracteriza nada sobre ética, assim como não determina sua qualidade.
Existe um acordo sobre vacinas importadas entre médicos-veterinários, fabricantes e distribuidores de modo a garantir que sejam aplicadas e comercializadas somente por profissionais médico-veterinários. Isso porque as vacinas “não profissionais” podem ser vendidas por balconistas de pet shops ou agropecuárias diretamente para o dono. Elas são aplicadas por qualquer pessoa, mesmo desrespeitando resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária e sem conhecimento técnico-veterinário, o que pode gerar consequências para o animal que está sendo vacinado. Assim, quando chega o momento de vacinar os animais, seus responsáveis devem sempre ser orientados a buscar atendimento veterinário para realizar o procedimento.

Cuidados gerais
Antes de vacinar o cão ou gato, é importante constatar se ele está saudável, sem sinais de doença que possa inviabilizar a adequada resposta imunológica à vacina. Previamente à aplicação, os animais devem ser submetidos a exame clínico completo, realizado por veterinário.
Sobre a frequência da vacinação polivalente aplicada em filhotes, a primeira dose deve ser dada entre 6 ou 8 semanas de idade, e então a cada duas a quatro semanas, até 16 semanas de idade, completando três doses. Assim, o animal terá sido completamente vacinado até os 4 meses de idade.
Um ano depois da última dose de vacina polivalente deve ser aplicada a dose de reforço. Essa dose é importante para assegurar o desenvolvimento da resposta imune protetora caso o organismo do animal não tenha reagido adequadamente a alguma dose recebida quando filhote. A partir daí, a frequência ideal de revacinação de cão ou gato pode variar de acordo com os antígenos de cada vacina, pois apresentam resposta imune protetora distintas. Quanto à vacina antirrábica, deve ser aplicada a partir de 4 meses de idade com revacinação anual, tanto em cães quanto em gatos.
Para quem deseja se aprofundar no assunto, Karina sugere ler e seguir as Diretrizes para a vacinação de cães e gatos, compiladas pela Associação Veterinária Mundial de Pequenos Animais (sigla em inglês, WSAVA) e disponível em português em http://goo.gl/Zc90j7.

Reportagem: Samia Malas. Revisão de estilo: Marcos Pennacchi. Texto: Marcos Pennacchi e Samia Malas


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