10 cuidados com os gatos para o inverno

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As temperaturas ficam mais baixas, anoitece mais cedo e os gatos buscam se aconchegar próximo aos cantos mais quentinhos da casa, o que inclui o colo de seu dono. Com a chegada do inverno, é preciso ficar atento a adaptações sutis no dia a dia, para que o felino continue forte, saudável e aproveite cada segundo da estação mais fria do ano ao seu lado.

1 – Como saber se meu gato está com frio?

A veterinária pós-graduada em Clínica Médica de Felinos, Alessandra Maia lembra que, em estações frias, muitos gatos ficam encolhidos, com pelos arrepiados e mais próximos de seus tutores e companheiros felinos. Entram debaixo de cobertas, se escondem em armários, ficam debaixo e atrás de geladeiras e procuram passar mais tempo expostos ao sol, fazendo de tudo para se aquecer, especialmente os gatos de raças peladas. “Para minimizar o frio, os tutores podem tentar colocar roupinhas nos felinos, pois muitos aceitam e ficam bem com elas. Podem também cobri-los com cobertor quando estiverem dormindo. Outra opção é espalhar cobertas nos sofás e camas”, orienta, destacando que alguns felinos gostam muito de caixas de papelão, que podem ser melhoradas com cobertas para que os gatinhos fiquem bem aquecidos dentro delas. 
Reginaldo Pereira, veterinário com pós-graduação em Medicina de Felinos, alerta os tutores de que sinais como tremores musculares, apatia e calafrios nem sempre são indicativos de que o gatinho está com frio. Eles podem ser sintomas de febre ou de hipotermia, e portanto precisam de avaliação rápida por um veterinário. Fique atento!

2 – Atenção à alimentação

A alimentação de qualidade também é fundamental nesse período, já que ela, aliada à vacinação em dia, mantém a imunidade do bichano, protegendo-o de doenças da época, como resfriados. “Assim, os gatinhos ficam bem nutridos sem precisarem usar suplementos e vitaminas”, afirma Alessandra. Segundo Reginaldo, a exceção são gatos que já têm problemas de saúde. “Se o gato tem uma dieta de qualidade, não há necessidade de suplementação vitamínica, a não ser em alguns casos em que o felino já tenha alguma alteração instalada, os que sofrem de rinotraqueíte crônica”, explica. Nesses casos, os bichanos podem receber suplementos à base de aminoácidos essenciais, como a lisina.
E, se você está se perguntando sobre a temperatura do alimento úmido, segue a dica: só aqueça se o gato rejeitar a comida que já está sendo oferecida. “Felinos não gostam de mudanças e, se o tutor alterar a temperatura do alimento sem necessidade, eles podem não gostar e não comer”, ressalta Alessandra.

3 – Vacinas em dia
Tão importante quanto a alimentação, a vacinação em dia também protege seu gatinho de diversas doenças, independentemente do período do ano. As vacinas a serem tomadas são definidas em conjunto entre o veterinário e o tutor do animal, com base na idade e no estilo de vida do gato, se vive dentro de casa ou não, se ele tem contato com outros felinos e se possui bom estado de saúde, se é portador de viroses como FIV e Felv, por exemplo. Entretanto, Reginaldo enumera as principais: “São aquelas contra herpervírus, calicivírus e parvovírus, que são os causadores da gripe felina e panleucopenia, respectivamente. É importante lembrar também da antirrábica, que é obrigatória em qualquer situação”, enfatiza.

4 – Higiene é fundamental

No inverno, há maior proliferação de fungos. Por isso, lembre-se de limpar corretamente os comedouros e bebedouros dos bichanos. “Os fungos podem ser eliminados com a limpeza e higienização do ambiente e dos utensílios do gato, lavando-os com água quente e enxugando bem, além de aspirar tapetes e mobília”, orienta Reginaldo, lembrando que a prevenção e o controle dos fungos no próprio animal é importante. Para isso, mantenha a boa nutrição do pet e evite dar banho no bichano nessa época, somente mantendo-o bem escovado. 
Além disso, é importante higienizar a casa. “É imprescindível que o ambiente esteja limpo e seco, que os produtos utilizados não possuam cheiro forte e que possam ser usados nos locais onde estão os animais”, afirma Alessandra, ressaltando que as roupas dos pets podem ser lavadas com mais frequência. Entretanto, cada situação merece acompanhamento individual. “Por isso, é extremamente importante que felinos com fungos sejam acompanhados por um médico veterinário, até porque muitos desses fungos são zoonoses, ou seja, podem acometer os seres humanos”, completa. Por fim, o ambiente onde os gatinhos estão deve estar ao abrigo de vento e chuva.

5 – Boa comida, pele saudável
 De acordo com Reginaldo, a saúde da pele dos gatos também está relacionada à boa alimentação. Assim, gatos que têm uma boa dieta terão a pele resistente, que não vai sofrer com as intempéries. Portanto, nada de hidratantes para o ressecamento de pele, que geralmente é causado por problema metabólico ou doenças nutricionais. “Não há recomendação de aplicação de produtos tópicos nos gatos. É muito comum a intoxicação por produtos aplicados na pele, já que é normal o comportamento de autolambedura do felino”, explica  o veterinário. 

6-Ambiente saudável, gato sadio

Além das baixas temperaturas, o clima seco pode ser prejudicial ao sistema respiratório dos animais. Segundo Alessandra, as crises podem ser evitadas com cuidados simples. “O tutor pode usar umidificadores de ar, toalhas úmidas e/ou bacias com água. Assim, o sistema respiratório do felino fica mais lubrificado e protegido”, aconselha, ressaltando que é importante, no entanto, que essa prática seja cuidadosa para não aumentar a umidade em excesso e ser prejudicial ao felino em ambientes com tapetes e carpetes.

7- Ofereça água, mesmo no frio

Não é porque está frio que o gato deve deixar de beber água. Contudo, se o felino costuma bebê-la em temperatura muito fria e o tutor observa que a ingestão diminuiu, é aconselhável oferecê-la em temperatura ambiente. “Outra forma de incentivar a ingestão é oferecer alimento úmido ao felino, pois assim ele se alimenta e bebe água com grande prazer”, afirma Alessandra.

Outra dica para estimular seu pet a beber água é distribuir várias fontes pela casa. “Fontes automáticas ou elétricas também são boas opções”, destaca Reginaldo.

8- Atenção ao calor felino

Devido ao frio, os felinos podem se aglomerar para se aquecer. Segundo Alessandra, é extremamente importante observar se todos eles estão bem, se comem normalmente, se estão espirrando ou tossindo, pois podem transmitir uns para os outros. “Assim, por estarem mais perto uns dos outros, a probabilidade de uma doença infectocontagiosa ser disseminada é grande. Por isso, é fundamental que todos estejam com as vacinas em dia.”

Além de deleite para os vírus, locais com superpopulação de animais podem fazer mal para os bichanos, emocionalmente. “São espaços onde o estresse é muito grande, causando sérias alterações na imunidade e favorecendo a proliferação de doenças infecciosas”, previne Reginaldo.

9-Com amor e cobertor

Gatos filhotes e idosos são mais frágeis quando o termômetro marca poucos graus. Isso porque sua camada de gordura subcutânea é menor e seus mecanismos fisiológicos do controle de temperatura são menos eficazes. “Deixe-os em ambientes internos, oferecendo mantas, cobertores e compressas térmicas para se abrigarem, além de protegê-los contra chuva e ventos”, aconselha Reginaldo.

10-Cuidando dos mais sensíveis

Todos os felinos merecem abraços quentinhos. Porém, raças sem pelos, como o Sphynx, precisam de mais atenção, por conta das baixas temperaturas. “Os cuidados são os mesmos que para filhotes. Mantenha-os aquecidos com mantas ou roupinhas”, aconselha Reginaldo.

Gatos Persas, assim como os de outras raças de focinho curto, também são mais sensíveis ao frio. Além de mais suscetíveis aos fungos, muitos felinos dessa raça possuem problemas respiratórios devido à conformação da face, e é na época mais fria do ano que os sinais aparecem. “É importante que o tutor observe se seus gatinhos estão espirrando, tossindo, com secreção nasal e/ou ocular. Se isso acontecer, é importante que o médico veterinário examine o felino”, finaliza Alessandra.

CUIDADOS COM AS DIFERENTES TEMPERATURAS

•Atente-se para que a água do seu felino sempre esteja fresca, troque quantas vezes forem necessárias e, se preciso, coloque uma pedrinha de gelo na tigela. Escove sempre o pet para retirar os pelos mortos, que pesam e o aquecem. Umidificadores de ar podem ser interessantes. Nos períodos mais quentes ocorre uma proliferação maior de pulgas, atente-se a isso. Evite que o pet fique exposto ao sol forte, principalmente se ele for branco.

•Se a temperatura estiver amena, não vista os felinos com roupas. Você pode sentir um leve frio, mas ele não, já que possui uma pelagem quentinha para protege-lo. Sempre incentive o felino a beber água, independente de estar muito frio ou calor. É essencial. Atente-se às pulgas e aos carrapatos que podem atacar seu bichano o ano todo, afinal, vivemos em um país tropical.

•Analise se é necessário usar roupinha e se o felino a aceita bem. Quando ele estiver dormindo, cubra-o com uma manta. Espalhe cobertas pelos sofás e camas para que o pet tenha acesso a elas quando quiser. Observe se as vacinas estão em dia e sempre mantenha o animal bem alimentado. Proteja-o contra chuva e ventos. No inverno, há maior proliferação de fungos. Por isso, lembre-se de limpar corretamente os comedouros e bebedouros dele. Evite banhá-lo em dias frios, mantenha-o apenas bem escovado.

 

 

Agradecimentos:

ALESSANDRA A. S MAIA
Médica veterinária com atendimento especializado em felinos
www.osbichanos.com.br
alessandra@osbichanos.com.br

REGINALDO PEREIRA
Médico veterinário com pós-graduação em Clínica de Felinos,
membro da American Association of Feline Practitioners
www.catusmedicinafelina.com
reginaldo.catus@gmail.com

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