Ansiedade felina: como descobrir e tratar

Foto: IstockPhoto

É preciso atenção, pois são diversas causas que podem levar ao transtorno, e os sintomas bem são variados 

Apesar de bastante complexa, pois envolve muitas causas diferentes e pode apresentar os mais variados sintomas, a ansiedade é muito comum nos felinos. E são muitas as causas que podem desencadear esse transtorno nos gatos, como explica a consultora de comportamento felino Nathalie Fernandes. Um dos principais motivos de estresse pode ser a alteração na sua rotina. “A falta de controle sobre o ambiente causa sensação de insegurança”, diz. 

E há muitas formas de alterar o metódico dia a dia do felino. “Pode ser alguém diferente que vai morar na casa, mudança de endereço ou a inserção de um novo gatinho sem o preparo prévio”, lista Denise Bispo, consultora comportamental de gatos e cães formada em Psicologia pela UMESP. Nem todos vão reagir da mesma forma, mas várias dessas situações geram alterações muito bruscas para a vida do pet.

É preciso também ficar atento aos recursos disponibilizados na casa para os gatos. Há caixas de areia o suficiente? O indicado é sempre uma peça a mais do número total de moradores felinos. Há comedouros em quantidades adequadas? Boa disponibilidade de água? Existem locais onde o gato possa se esconder, se proteger, subir, correr, dormir em segurança e tranquilidade? Enriquecimento vertical com trajetos, nichos e camas no alto traz segurança sobre o território. E os gatos precisam se sentir seguros, mas também estimulados, pois existe um grande risco de ficarem entediados com a falta de atividades. Ter uma rotina diária de brincadeiras com eles é fundamental. “Tanto a ausência de recursos quanto de estímulos adequados leva ao tédio e também ao estresse”, atesta Nathalie. 

{PAYWALL_INICIO}

Outro ponto que precisa ser observado atentamente é a relação do gato com os outros animais da casa e também com o seu tutor. Segundo Nathalie, um motivador pode ser o conflito entre gatos, e este pode ou não resultar em brigas visíveis. “A ansiedade também pode vir de um relacionamento negativo entre tutor e gato, em que o tutor briga, grita, dá broncas ou castiga o gatinho após um determinado comportamento que ele apresenta, entre outras coisas”, completa a bióloga.

Mais um fator gerador de estresse é quando o gato passa por longos períodos de solidão sem o tutor. “Eles sentem a nossa falta quando ficamos muitos dias fora, mesmo contratando serviços de cat sitter”, conta Denise. “Traumas de infância, como passar fome nas ruas, também podem motivar o transtorno”, continua a consultora. Ela também explica que há um fator de predisposição a se considerar: “às vezes a gravidez da mãe foi mais ansiogênica, e daí o gatinho pode ter uma predisposição genética”. 

Sintomas

 Assim como as causas, os sintomas do transtorno de ansiedade felina podem ser vários, portanto é preciso atenção para mudanças no comportamento habitual do animal – especialmente se elas forem abruptas. A agressividade, tanto com humanos quanto com outros animais, é uma delas, assim como o excesso de vocalização – os miados constantes e escalonados, à noite e de madrugada. O gato ansioso pode passar o dia dormindo e ficar acordado e agitado durante a noite. “Ele pode dormir mais do que o normal, ou mesmo apresentar sintomas de hiperatividade”, descreve Nathalie.

O estresse pode se manifestar ainda na forma de compulsão alimentar ou na perda de apetite, o que pode gerar perda ou ganho de peso. Micção e fezes fora da caixinha de areia, além de perda de interesse em brincadeiras que antes o pet gostava, podem ser outros sintomas. “Os sintomas são diversos, e nem todos precisam estar presentes”, explica Nathalie. “O transtorno de ansiedade, assim como em humanos, também pode gerar sintomas físicos como problemas gastrointestinais e alteração no ritmo respiratório.” Portanto, caso qualquer alteração incomum no comportamento do gato persista, é preciso procurar suporte profissional de um veterinário.

Tratamento

Como as causas da ansiedade em felinos são diversas, não existe um só tratamento. “O transtorno de ansiedade é bem complexo, mas bastante recorrente entre gatos, por isso é muito importante procurar ajuda profissional”, esclarece Denise. 

“O que a gente sempre recomenda é levar o gato em um profissional especializado em psiquiatria veterinária. Antes, no entanto, precisa ser descartado qualquer problema clínico. E, em alguns casos, o gato vai precisar ser medicado. Alguns gatos tomam antidepressivos, porque eles englobam um calmante”, prossegue Denise.

Portanto, descartar outras doenças que podem ter o mesmo sintoma da ansiedade felina e examinar ao lado do médico-veterinário a necessidade de um tratamento medicamentoso devem ser os primeiros passos. 

Manejo e prevenção

 Existem muitas alterações no dia a dia da casa e da rotina do pet que devem ser adotadas para a diminuição do estresse, mesmo se houver a necessidade de remédios. “É preciso garantir uma rotina saudável ao animal, com muitas atividades e enriquecimento ambiental. Dentre eles estão o enriquecimento vertical e alimentar, que é possível fazer a partir de brinquedos, até mesmo caseiros, que estimulam a busca e a conquista pelo alimento”, exemplifica Nathalie. Ela acrescenta que as brincadeiras de caça precisam ser realizadas diariamente. Ela ainda enfatiza a importância dos cuidados emocionais no relacionamento com o pet e o tutor, que deve ser sempre positivo, baseado em carinho e confiança, respeitando o espaço do gato e permitindo que expresse comportamentos naturais. A relação conflituosa ou negativa entre o felino ansioso e outros pets da casa também precisa ser solucionada. “Gatos que já sofrem de transtorno de ansiedade devem ser estimulados a realizar mudanças positivas no ambiente”, afirma. Outras opções de tratamento que podem surtir efeitos positivos, diz Denise, são o uso de florais e de feromônio sintético.


Agradecimentos:

Denise Bispo

Consultora comportamental de gatos e cães formada em Psicologia pela UMESP e especializada em comportamento felino e canino. Trabalha com pets desde 2014 auxiliando animais e seus tutores a terem uma convivência harmoniosa e feliz.

Nathalie Amorim Fernandes

Bióloga pela Universidade Federal de São Carlos, mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo e pós-graduanda em Comportamento Animal pela Universidade Tuiuti do Paraná. Instagram: @cecicatcom

{PAYWALL_FIM}


Clique aqui e adquira já a edição 141 da Pulo do Gato!