6 aprendizados que tivemos com felinos na quarentena

Foto: IstockPhoto/chendongshan

Ficar em casa, em confinamento, nos forçou a adotar comportamentos felinos em nossa rotina 

Enxergar o lado positivo de tudo é preciso. Ainda mais em um momento tão difícil como o que a humanidade está passando. Assim, nós, da Pulo do Gato, decidimos lançar um olhar mais atento ao nosso amado felino e refletir sobre o que pudemos aprender com ele durante a pandemia. 

1) Higiene é muito importante

Gatos sempre foram muito limpos e, logo que se sujam, começam a se lamber. Assim, o hábito de lavar as mãos com frequência e tomar banhos a cada saída de casa é um dos “comportamentos felinos” aprendidos por nós, humanos, com a pandemia. “Gatos passam, em média, de 30 a 50% do tempo que estão acordados se lambendo. A autolimpeza é um comportamento biológico, selecionado, que todo felino faz – seja doméstico ou selvagem, até os de porte grande – em proporção, padrão e sequências semelhantes”, aponta Carlos C. Alberts, professor e pesquisador do Laboratório de Evolução e Etologia (LEvEtho) da Unesp, cuja tese de doutorado tratou dessa questão da autolimpeza. “Gatos têm uma série de estruturas sensoriais, como bigodes, as ‘sobrancelhas’, entre outras, que precisam ser mantidas limpas para que não haja interferência em sua percepção do meio”, acrescenta Carlos. 

2) Permita-se descansar!

Outro ponto positivo que a quarentena nos trouxe – e que gatos sempre tiveram como prioridade  – é descansar quando o corpo pede. Aquela soneca após o almoço foi possível em muitas casas – geralmente aquelas sem crianças – desde o início da pandemia. “Gatos dormem de 15 a 16 horas por dia, pois são atléticos e saltam até sete vezes o seu tamanho, caçam, lutam por seu território, enfim, eles precisam desse descanso para manter suas capacidades diante dos desgastes e do gasto energético que as atividades diárias de um caçador exclusivamente carnívoro demanda”, diz Carlos.  

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3) Respeite o espaço alheio

Convivendo todos sob o mesmo teto, por longas horas todos os dias, o respeito ao espaço de cada um nunca foi tão importante. “As pessoas devem respeitar ainda mais o espaço das outras para evitar conflitos que a falta de privacidade pode trazer. Inclusive, conosco dentro de casa, os gatos passaram a ficar mais estressados pela movimentação. 

Então, respeitar o horário da soneca ou descanso dos outros é muito importante (sejam gatos ou humanos)”, aponta Naila Fukimoto, consultora de comportamento de gatos, de São Paulo. 

4) Alimentação regular

Uma das recomendações mais básicas de nutricionistas é a divisão das refeições em porções menores – o que muitas vezes exigia muita dedicação na correria do dia a dia. Gatos sempre foram petiscadores e comem várias vezes ao dia. Em casa, seus tutores puderam acompanhar os felinos nessa rotina alimentar mais tranquila e proporcional. “Gatos não gostam de ficar com o estômago muito cheio, pois perdem agilidade para fugir de predadores, subir em árvores etc. Além disso, gostam de ter sempre um pouco de alimento no estômago para ter energia. Quando vivem em casa, conosco, mesmo sem ameaças de predadores, eles mantêm esse hábito”, afirma Carlos.  

5) Ter atividade é importante

“Com o sofrimento de ficarmos confinados, tivemos que ‘inventar’ o que fazer: alguns estão cozinhando mais, outros estão fazendo trabalhos manuais etc.”, aponta Naila. Assim, percebemos o quanto o enriquecimento ambiental é importante para o gato, que passa sua vida dentro de casa e precisa também de atividades para não cair no tédio. “Estando mais em casa, podemos notar o quanto nossos gatos são ativos! Então, se nós precisamos de hobbies, os gatos também precisam de muitas atividades de enriquecimento e brincadeiras ativas (pensando em tutores que não brincavam com seus gatos antes)”, aponta Naila. 

6) Ficar em casa é bom

Aprendemos que ficar no nosso canto também pode ser algo bom. Ficar em casa nos permitiu desenvolver atividades que antes não tínhamos tempo, por exemplo. Cuidamos mais do jardim, ficamos mais tempo com nossas crianças (para quem tem filhos). Não precisa nem dizer que felinos gostam de ficar no território deles, né? “Para um gato, estabelecer a hierarquia em seu território e se adaptar naquele espaço é algo difícil, que muitas vezes requer conflitos com outros gatos – nem que sejam ameaças apenas visuais ou sonoras. Então, sair daquele ambiente implica em ter que reorganizar todo o território, e o felino não fica tranquilo até que tudo esteja readequado, causando grande estresse”, ensina Carlos.


Agradecimentos:

Carlos C. Alberts
Professor e pesquisador do Laboratório  de Evolução e Etologia  (LEvEtho), da Universidade  Estadual Paulista (Unesp).

Naila Fukimoto
Consultora de comportamento de gatos e doutoranda em Comportamento Animal pela USP. 
Instagram @gatinoscomportamento

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