Dia-a-dia
O cotidiano de um protetor de animais


Por Maria Augusta Toledo

Assim começa o dia de um protetor de animais.
Ele tem que madrugar para cuidar de todos os animais que estão sob sua proteção e que não conseguiram ser doados: são os velhos, doentes, especiais, ou seja, os que foram rejeitados pela sociedade.

Depois de passar horas limpando, alimentando e medicando, o protetor finalmente liga o computador para ler as mensagens, com a esperança que
perguntem sobre a turma que ele tem para doar. Felizmente, sempre tem alguém interessado nos cães ou gatos e também muitas, muitas pessoas pedindo ajuda:

“Você pode recolher o cão que foi atropelado na minha rua?

Você pode abrigar os animais que estão em um terreno baldio?

Por favor, me ajude com um caso grave de maus-tratos.”

Nesta hora tem início a sensação de medo e impotência que acompanha o
protetor durante todo o seu dia. Os apelos são muitos e ele sabe de suas limitações

Mas, apesar dos problemas, ele precisa ir para o canil cuidar da turma (cada vez maior) de cães que tem para doar. São animais resgatados em péssimas condições ou que estavam correndo perigo de morte, muitos deles adultos e doentes.

Sair de casa se tornou uma agonia, pois o protetor vê, cada vez com mais
freqüência, muitos animais abandonados pelo caminho e não tem como ajudá-los. Se ele não estabelecer um limite, não haverá como cuidar dos que já estão sob sua responsabilidade.

À tarde, ele volta para o computador para responder aos pedidos de adoção e receber notícias dos animais que já foram encaminhados.

É sempre muito difícil ler o tempo todo sobre abandono e crueldades contra os animais e ter que confiar em quem vai adotar seu protegido. Isto é um exercício de superação, mas enfim, ele precisa confiar nas pessoas.

A doação é o objetivo de seu trabalho, é o que o motiva a continuar nesta luta.

Mas, muitas vezes a doação não dá certo e as causas podem ser as mais
Absurdas: ou o cão não late nunca ou ele late demais. O motivo é sempre a falta de perseverança das pessoas que, diante da menor dificuldade, desistem de tentar.

Esta é uma das maiores tristezas para o protetor: colocar o animal que já estava se habituando a uma casa, a uma família, de volta em um abrigo. A
maioria dos animais adoece ou entra em depressão. No final da tarde, outra sessão de limpeza, alimentação e medicação.

À noite, exausto, o protetor consegue dormir em paz, aquele sono pesado e gratificante de quem batalhou o dia todo.

Ele só perde o sono quando as dívidas nas clínicas veterinárias e nas casas de ração excedem o seu limite mensal. Aí começa outra batalha: a de levantar dinheiro para saldar seus compromissos.

O certo é que o tempo todo o protetor de animais oscila com altos e baixos, com notícias boas e ruins e com vitórias e derrotas.

Diante disto tudo, o que o faz continuar?

Apenas uma coisa: o olhar de gratidão de um animal desesperado e sem saída. Alguns protetores piram, outros desistem, eu escrevo...

Maria Augusta Toledo - http://anjosparaadocao.multiply.com

 
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