Síndrome do Ressecamento Ocular

Categoria: Saúde

Autor(a): Por Jorge da Silva Pereira | Colaborador(es): Leila Bonfietti Lima | Cidade: Campinas | 17/07/2013 - 09:40

“Uma perda em quantidade ou em qualidade do filme lacrimal resulta no ressecamento da superfície da córnea ou, em casos mais avançados, ressecamento de toda a superfície exposta do globo ocular”
Foto: Divulgação

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Ceratoconjuntivite seca (CCS) ou simplesmente olho seco é uma doença relacionada à produção e/ou qualidade da lágrima, já que é ela que ajuda a manter a córnea saudável. A córnea é a superfície ótica anterior e transparente do olho, que permite a entrada da luz. Para que se mantenha saudável, ela deve estar sempre bem umedecida pela lágrima. A lágrima é um composto de três camadas: uma camada oleosa mais superficial produzida por glândulas situadas nas pálpebras, que ajuda impedir a evaporação da camada seguinte; a lágrima propriamente dita, que é a camada intermediária líquida, produzida principalmente pela glândula lacrimal orbital e por uma glândula localizada na membrana nictitante, conhecida como terceira pálpebra dos animais, que quando diminuída determina o ressecamento não só da córnea mas de toda a superfície exposta do globo ocular; e a camada profunda, que faz contato direto com a córnea. É uma camada mucosa produzida por um grupo de células da conjuntiva, conhecidas como células caliciformes. Esta camada mucosa ajuda a camada aquosa a se manter aderida à superfície da córnea.
Uma perda em quantidade ou em qualidade do filme lacrimal resulta no ressecamento da superfície da córnea ou, em casos mais avançados, ressecamento de toda a superfície exposta do globo ocular. A córnea então, mal alimentada e mal oxigenada, começa rapidamente a sofrer, recebendo pigmentação, o que faz com que perca a sua transparência normal e desenvolva feridas dolorosas que podem aprofundar-se e até mesmo perfurá-la, fazendo com que o animal perca a visão e até mesmo o olho.
O diagnóstico do olho seco é feito coletando uma história sobre as circunstâncias do aparecimento e da evolução da doença, um exame minucioso e um número de testes específicos, executados por um Oftalmologista Veterinário. Diferentes causas de olho seco têm sido relatadas: animais com hipotireoidismo, infecções das glândulas lacrimais e doenças autoimunes. Outra causa seria uma intoxicação produzida por algumas drogas contendo sulfa e por algumas drogas anti-inflamatórias. A perda da sensibilidade neurológica devido às infecções crônicas do conduto auditivo e a outras desordens neurológicas pode determinar um quadro de olho seco unilateral, combinado frequentemente com um nariz seco. Em muitos casos a causa do olho seco permanece desconhecida, contudo o tratamento pode e deve ser instituído.
O tratamento do olho seco visa a lubrificação e a reposição da lágrima, redução do crescimento bacteriano, da inflamação, bem como estimular a produção natural de lágrimas. Como as lágrimas artificiais sozinhas não lubrificam a superfície do globo ocular como faz a lágrima natural, é indicada a adição de um veículo também lubrificante. O paciente portador de olho seco tem frequentemente um acúmulo do muco nas dobras das pálpebras. As drogas utilizadas mais recentemente para o tratamento do olho seco têm efeito imunossupressor. O importante é o acompanhamento por parte de um profissional treinado e qualificado na área de oftalmologia animal.  Bem monitorada e medicada, a maioria dos pacientes responde bem ao tratamento, podendo manter sua função visual enquanto eles viverem. Por outro lado, se negligenciada esta doença, o animal fatalmente perderá em qualidade de vida na medida em que terá reduzida a sua acuidade visual, podendo até mesmo ficar cego.

Jorge da Silva Pereira
Médico veterinário especializado em Oftalmologia

www.drjorgepereira.com.br
contato@drjorgepereira.com.br 
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