Dirofilariose em gatos: a doença do verme do coração também pode acomete-los

Categoria: Saúde

Autor(a): Fábio Navarro Baltazar | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas-SP | 25/04/2017 - 08:51

Saiba se o seu gato tem Dirofilariose, quais são os sintomas, como ela pode ser transmitida e qual a melhor maneira de trata-la
Voren1/ iStock.com

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A dirofilariose, conhecida como doença do verme do coração, também pode acometer gatos. É necessário, portanto, atenção redobrada com seu felino, já que se trata de um problema extremamente sério. Nesse texto vamos sanar suas principais dúvidas a respeito da dirofilariose em gatos. Saiba se o seu felino a tem, quais são os sintomas, como a doença pode ser transmitida e qual a melhor maneira de trata-la. Veja abaixo!   

Dirofilariose

A dirofilariose caracteriza-se por moléstia causada pelo parasita Dirofilaria immitis, acometendo seres humanos, cães (com maior frequência) e gatos. Dessa forma, alguns autores sugerem que a frequência de ocorrência da doença em felinos corresponda entre 5 e 20% à dos cães na mesma região geográfica, ou seja, é certo que serão encontrados casos em felinos em regiões com diagnóstico prévio em cães. A maior parte dos gatos infectados possui entre 3 e 6 anos de idade e sua distribuição acontece nos centros urbanos.
 
Transmissão
 
A transmissão da dirofilariose pode ocorrer por diversos gêneros de mosquitos, como Culex, Anopheles e Aedes, que são considerados hospedeiros intermediários desse parasita. Assim, por se tratar de doença com envolvimento vetorial, características ambientais, como temperatura e umidade, destacam-se no que se refere à epidemiologia, já que favorecerão a proliferação dos mosquitos. Estes, quando picam animais infectados, adquirem o parasita por meio da ingestão de larvas em seu primeiro estágio de desenvolvimento, denominadas microfilárias.


Estágios da doença
 
No mosquito, as larvas evoluem para o segundo e terceiro estágios, sendo este último considerado infectivo, ou seja, aquele que será inoculado no próximo hospedeiro definitivo. Tal processo de desenvolvimento, entre o primeiro e terceiro estágios larvais, ocorre entre 2 e 3 semanas, e a larva em seu estágio infectivo (terceiro), após inoculada no cão ou gato, percorrerá a porção inferior da pele, amadurecendo ao seu quarto estágio após 9 a 12 dias e, posteriormente, ao quinto estágio, no qual irá penetrar nos vasos sanguíneos, aproximadamente 100 dias após a infecção. Posteriormente, as larvas migram para as artérias pulmonares, permanecendo por cerca de 2 a 3 meses, atingindo a maturidade sexual e finalmente chegando ao coração, onde permanecerão no ventrículo direito.
            Devido ao fato de os felinos não serem os hospedeiros ideais para esse parasita, muitas larvas morrem durante a migração pelas artérias pulmonares, o que poderá desencadear inflamação (mecanismo de defesa do organismo) desses vasos e dos pulmões. Em contrapartida, as larvas adultas que conseguem chegar ao coração se reproduzem, e as fêmeas liberam microfilárias na circulação, completando o seu ciclo. Nessa espécie, geralmente são encontradas duas ou três larvas no coração, fato que já é considerado infecção intensa, uma vez que tais animais possuem pequeno porte.
 
Sintomas

            Os sintomas relacionados a essa enfermidade não estão presentes em todos os gatos acometidos, ou seja, alguns animais podem ter a doença e se apresentarem assintomáticos, ou ainda manifestarem sintomas por período curto, e estes desaparecerem mesmo na ausência de tratamento. Apesar disso, mais da metade dos gatos com sintomas apresentam tosse e dificuldade respiratória, que podem ser confundidas com doenças mais comuns do sistema respiratório nessa espécie, como asma. Outros sinais que também podem ser encontrados são prostração, vômito, perda de apetite, desmaios e sinais neurológicos, como convulsões, cegueira e falta de coordenação motora.
 
Como saber se o felino tem a doença?
 
O diagnóstico da dirofilariose em gatos muitas vezes representa um grande desafio ao médico veterinário, tanto pelo fato de os sintomas poderem mimetizar outras doenças mais comuns, como pela necessidade de associarmos alterações encontradas no exame físico do paciente com resultados laboratoriais, muitas vezes, inespecíficos. De qualquer maneira, a reunião de tais evidências se inicia durante a avaliação física, quando o profissional irá buscar especialmente sinais clínicos relacionados à auscultação cardiopulmonar. Posteriormente, o exame radiográfico de tórax poderá ser solicitado, trazendo informações acerca de possíveis inflamações pulmonares, acúmulo de líquido no tórax e alterações cardiovasculares, incluindo dilatação de uma das artérias pulmonares e das dimensões cardíacas, especialmente o ventrículo direito.
O ecocardiograma (ultrassonografia do coração) também pode trazer informações valiosas, evidenciando os vermes em aproximadamente 50% a 75% dos casos. Adicionalmente, os exames de sangue disponíveis para o diagnóstico incluem testes para a detecção de anticorpos contra o parasita e de proteínas de sua cutícula (envoltório externo), além de pesquisa de microfilárias. Tais provas diagnósticas possuem sensibilidade distinta, trazendo a possibilidade de resultados falso-negativos, fato este que justifica a necessidade de o médico veterinário obter o máximo de informações mediante a realização de diferentes exames.
 
Tratamento

            Realizado o diagnóstico definitivo da doença, a próxima etapa na abordagem da dirofilariose em felinos será o tratamento, que deve ser realizado com bastante cautela. A utilização de fármacos efetivos contra os vermes adultos se mostra bastante controversa, tanto na prática clínica quanto na literatura relacionada à doença, já que a morte e subsequente liberação dos parasitos de seus sítios de ligação poderá ocasionar obstrução de grandes artérias, levando o animal a óbito. Por esse motivo, associado ao fato de a sobrevida desses vermes ser menor nos felinos em relação àqueles presentes nos cães (dois a três anos nos gatos e até sete anos, nos cães), muitos autores sugerem tratamentos que apenas amenizem os sintomas, como anti-inflamatórios esteroides, nos pacientes com inflamações pulmonares, e diuréticos, naqueles que acumulam fluidos cavitários, além de monitoramento da carga parasitária por meio de sorologias e ecocardiogramas a cada 6 ou 12 meses. O tratamento cirúrgico, baseado na remoção dos vermes adultos do coração e das artérias parasitadas, também é citado como possibilidade terapêutica adicional. Porém, não é o que ocorre com frequência na prática clínica, uma vez que a manipulação dos vermes adultos poderá liberar proteínas de sua cutícula na circulação, gerando o risco de reação anafilática.
              A profilaxia, mediante o exposto, talvez represente o capítulo mais importante da dirofilariose felina, especialmente para os animais que residem em áreas endêmicas. Diversas medicações se encontram disponíveis comercialmente, sendo a prevenção com tais fármacos segura para os felinos acima de seis semanas de idade.


Fabio Navarro Baltazar
Médico veterinário mestre em Ciências, com ênfase em doenças infecciosas e parasitárias. 

 
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