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9 dicas de como deixar felinos mais sociáveis

Categoria: Comportamento Felino

Autor(a): Jornalismo Top.Co | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas/SP | 05/04/2017 - 09:08

Amor, paciência e dedicação são fundamentais para fazer o novo membro da família se sentir em casa
Imagem meramente ilustrativa: iStock @ betyarlaca

Imagem meramente ilustrativa: iStock @ betyarlaca

Adotar um gato é uma experiência única. Um caso de amor entre humanos e felinos. No entanto, essa experiência pode ter alguns obstáculos quando a decisão envolve um felino acostumado a viver nas ruas. “Gatos que nunca tiveram contato com pessoas são chamados de gatos ferais”, explica a adestradora da Cão Cidadão, Claudia Terzian.
A boa notícia é que com paciência e dedicação, você pode superar todos eles e conquistar um companheiro para a vida toda. Segundo Joice Peruzzi, veterinária especializada em comportamento animal da Pet Estar, gatos que não tiveram contato algum com pessoas durante a infância tendem a ter mais dificuldade para se socializar. Já os que interagiram com humanos algum dia tendem a ser mais sociáveis. “Alguns podem adaptar-se e até ir ficando cada vez mais apegados e carinhosos com seus tutores, porém, sempre desconfiados com os visitantes”, aponta Claudia. 
Entretanto, a falta de interação é só o começo dos problemas. Além de antissociais, os gatos que vêm das ruas já adultos podem ser agressivos ou ainda medrosos. Além do ambiente a que o pet está habituado, fatores genéticos, problemas na gestação e até a falta de socialização do filhote podem influenciar no surgimento de tais características. De acordo com Claudia, muitas vezes, o somatório desses fatores pode levar a casos mais graves, como o alto grau de estresse sofrido pelo animal em ocorrências cotidianas e a reação exacerbada de medo e agressividade em situações em que não há um risco real. “Podem ser sempre arredios ao contato humano e às vezes arredios para viver com outros gatos também!”, explica. Segundo Claudia, esses gatos mais “assustados” sempre precisarão de um esconderijo seguro a cada vez que uma visita entrar na casa e ficarão por lá até que o desconhecido tenha ido embora.
 
Gatos de ONGs
Embora o trabalho feito por organizações não governamentais (ONGs) que se dedicam à proteção dos animais seja muito importante e bonito, Claudia lembra que dar um lar ao bichano é sempre a melhor opção. Até porque, além de estarem lotados, os locais visam, justamente, ser uma moradia temporária para o gato, até que ele encontre sua família. Além do mais, o ambiente superlotado é muito estressante para os felinos que, muitas vezes, podem ter maior bem-estar soltos na rua, mesmo com todos os riscos que correm. “Castrá-los e soltá-los no mesmo local, muitas vezes, é a melhor solução para gatos realmente ferozes, que não aceitam a presença humana”, sugere Joice.
Andrélia Margoni, presidente da organização Amantes de Gatos, conta que a socialização de gatos adultos pode demorar até anos. “Tenho alguns que só relaxaram após 3 anos, mas valeu a pena. O gato arisco pode amar colo e ser muito carinhoso. Parece até que dá valor à nossa insistência e investimento!”, relata. 
 
Domando a “fera” com amor
Se a “fera felina” realmente conquistou seu coração com seus olhinhos brilhantes, agora é hora de começar a preparar a casa para recebê-la. Para isso, é importante lembrar da segurança e do conforto para o animal. Veja algumas dicas que te darão suporte na adaptação de gatinhos mais ariscos: 


Imagem meramente ilustrativa: iStock @ dzika_mrowka   

Brincadeiras deixam gatos mais calmos e mais à vontade no ambiente


 
1. Indoor x rua
É fundamental compreender que muitos gatos de vida livre sofrem com uma vida indoor (sem acesso à rua) que, mesmo sendo a mais segura, pode causar tristeza até em bichanos sociáveis. No entanto, essa é a melhor opção para gatos, levando em conta o bem-estar e a longevidade do animal. “Os bichanos que têm acesso à rua costumam viver menos, seja por adquirir alguma doença, por algum acidente com cães, atropelamento, ou envenenamentos, maus-tratos, etc.”, alerta Claudia. “Quando alguém leva um gato bem socializado para casa, costumo pedir que, no primeiro mês, não o deixe ter acesso à rua, até por conta do risco de o animal fugir”, aconselha. Segundo Claudia, nem dois meses são suficientes para se pensar em soltar o gato, mesmo que futuramente ele possa ter uma vida livre com acesso à rua. Alguns gatos ferais podem levar anos para se adaptarem ou não. “Outra opção em casas com quintais é construir um gatil com tela no jardim para que ele tenha onde tomar sol e desfrutar do espaço”, complementa. 
 
2. Invista no ambiente
A casa ou apartamento deve ter telas de proteção, para que o gato não fuja e não se machuque tentando escapar. Além de seguro, o novo ambiente deve possuir estímulos para o novo membro da família. “Isso inclui instalar prateleiras e dar acesso ao gato a locais altos. Convém também proporcionar esconderijos e colocar arranhadores perto dos locais de descanso, assim o gato pode deixar seu cheiro e suas marcas neles. Às vezes, os esconderijos são soluções simples e baratas, como caixas de papelão, ou guarda-roupas”, sugere Claudia.
 
3. Melhor opção
Mostre que agora o gato tem um lar para chamar de seu e que sua casa é a melhor opção para ele. Crie uma rotina de brincadeiras e brinquedos interativos, que se movimentam sozinhos, liberam comida, ou que que mimetizem a caça, enriqueça o ambiente com planta, cuidando para não colocar nenhuma tóxica para felinos, etc. “A castração tende a reduzir esse comportamento exploratório que culmina em fugas, especialmente em machos, mas deve ser associada às medidas anteriormente citadas”, complementa Joice. 
Para Claudia, dentre as principais ferramentas para domesticar um gato de rua estão arranhadores, tocas, prateleiras e aparatos para escalar. 
 
4. A cada miado, uma distração
Muitas vezes, o gato resgatado das ruas tende a miar para voltar ao local a que está habituado. Para Joice, se o gato não apresenta nenhum tipo de sociabilidade com humanos, é preciso pensar na possibilidade de castrá-lo e colocá-lo novamente na rua. “Para ele é absurdamente estressante ter que viver com uma espécie com a qual ele nunca foi acostumado”, afirma. Porém, se há chances de o bichano ser mesmo seu novo pet, tente fazer com que ele goste mais do ambiente, mesmo quando está miando para sair dali. “Oferecer patês para gatos em horários em que o felino costuma ficar agitado pode desviar a atenção dele da fuga para ganhar o alimento”, diz Claudia, lembrando que jamais devemos dar bronca ou enfrentar o gato nesses momentos, pois ele pode ficar agressivo ou mais arisco e arredio com o tutor.
 
5. Ambiente agradável
Uma forma de acalmar os bichinhos é utilizar feromônios sintéticos (à venda em pet shops), odores semelhantes à secreção facial do gato, que têm se mostrado eficazes em reduzir o estresse e a ansiedade do pet. “Não tem contra indicações ou efeitos colaterais e sua única limitação é o alto custo. Pode ser usado no primeiro ou segundo mês da 
chegada do gato à casa”, recomenda Claudia. 
Joice recomenda que os donos devem associar sua presença a algo positivo, como ganhar ração. Além disso, evite todo tipo de contato com o animal, inclusive o visual. “Uma boa dica é sentar no cômodo e ler um livro, tirar o foco do gato, para que ele se sinta à vontade para vir explorar o ambiente e você. Aos poucos, conforme ele demonstrar essa curiosidade, tente interagir com brinquedos, escovas com cabo longo, evitando o uso direto das mãos ou pés num primeiro momento, que podem assustá-lo”, orienta.
Embora antidepressivos sejam indicados para agressividade, medo e ansiedade, Claudia afirma que são pouco usados, já que é difícil administrar remédios de uso contínuo para um gato. “Ainda mais um gato medroso ou agressivo”, complementa.



6. Cada gato tem seu tempo
Embora a preocupação sobre o tempo de adaptação do felino de rua à vida indoor seja inevitável, é preciso lembrar: cada gato tem seu tempo. “Não tem como predizer, depende de cada gato, das experiências precoces deles, do seu temperamento, do ambiente onde está e do empenho do novo tutor. O fundamental é não pressionar, deixar o gato em local seguro, com todos os recursos disponíveis, evitando contato forçado nos primeiros dias”, ensina Joice.
Claudia lembra ainda que alguns animais nunca se adaptam totalmente. “O tempo de teste deve levar em conta o bem-estar e estresse do gato com a situação. Um tempo de 6 meses pode ser considerado razoável desde que ele esteja se alimentando bem”, diz. Mas fique atento: se o bichano parar de comer, leve-o ao veterinário, e considere até permitir que ele tenha acesso à rua. 
 
7. O que não fazer
Além de não dar bronca ou “enfrentar” o gato, outras dicas devem ser seguidas sobre o que não fazer. Não soltar o animal pela casa toda é um bom começo. O correto é providenciar um local de adaptação com recursos necessários. “Num ambiente maior, podemos facilmente perder o controle, com mais locais para esconderijo e tentativas de fuga”, explica Joice. A princípio, lembre-se também de não colocá-lo com outros gatos. Por fim, preze também por sua segurança. “Se o gato tenta agredir o tutor, é possível usar um edredom ou cobertor entre a perna do tutor e o gato. Se o ataque do gato falhar ele tende a desistir”, completa Claudia.
 
8. Em filhotes
Andrélia Margoni, da ONG Amantes de Gatos, conta que quando resgatam uma mãe com seus filhotes da rua, ela já apresenta comportamento agressivo e os filhotes aprendem a copiá-lo, fazendo o famoso sopro felino.  “Caso o gatinho seja filhote, nós ensinamos o relaxamento por meio de brincadeiras com outros filhotes. Basta juntar com outro que não seja arisco e em pouco tempo ele já se solta e está brincando”, explica. Outra dica dada por Andrélia é pegar o animal no colo, para que ele se acostume com o contato humano. Se for muito agressivo, use uma toalha para segurá-lo. “Assim que ele aceitar, passamos a acariciar bem devagar, com toque firme, o corpo, depois a cabeça e, por último, a barriga. Conforme ele for relaxando, vamos progredindo”, instrui.
 
9. E os adultos? 
Já com os gatos adultos o processo é mais difícil, mas não impossível. Andrélia explica que alimentar o pet é o princípio do novo relacionamento. “Respeitando o tempo de cada gato, vamos aproximando a vasilha sem movimentos bruscos”, orienta. Ao pegá-lo, mesmo com uma toalha para facilitar, pode até fazê-lo suspirar, o que é um bom sinal.


Agradecimentos:

Andrélia Margoni

 

Presidente  e fundadora da ONG Amantes

de Gatos, em Piracicaba, responsável pelo manejo dos gatos do abrigo há 4 anos
 

 

 

Claudia Terzian

 

Veterinária  (FMZV-USP) com especialização em manejo comportamental de cães e gatos pela PUC-PR. Trabalha há 9 anos como adestradora e consultora na empresa Cão Cidadão.

 

Joice Peruzzi

Médica veterinária com ênfase em comportamento de cães e gatos, PetEstar, Porto Alegre-RS

joice@petestar.com.br


Confira os depoimentos no link:  


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